Informações de Vice-presidente da AUDICOM-MT assina artigo sobre monitoramento orçamentário em Aripuanã

Vice-presidente da AUDICOM-MT assina artigo sobre monitoramento orçamentário em Aripuanã

Publicado em 16/12/2025

Legenda: ASCOM/AUDICOM-MT

Autor: ASCOM/AUDICOM-MT

Um estudo desenvolvido no âmbito do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do MBA em Gestão de Cidades, promovido pela Escola de Direito da Alfa Educação – UNIALFA/FADISP, em parceria com o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), analisou a efetividade do monitoramento da execução orçamentária dos programas sociais no município de Aripuanã (MT).

A pesquisa foi conduzida por Luciene Morais Paulo Coradini, Auditora Pública Interna do município e vice-presidente da AUDICOM-MT, em coautoria com Andreia Pereira da Silva, e teve como foco avaliar o grau de maturidade dos controles internos no sistema de planejamento e orçamento municipal, especialmente nos programas das áreas de saúde, educação e assistência social, no período de 2018 a 2021.

O estudo adotou abordagem quali-quantitativa, por meio de estudo de caso, análise documental, entrevistas com gestores e técnicos, visitas in loco e aplicação do Questionário de Avaliação de Controles Internos (QACI), metodologia utilizada pelo TCE/MT no âmbito do Programa Aprimora. Os achados foram organizados em matriz de achados, conforme diretrizes do Manual de Auditoria Operacional do Tribunal de Contas da União (TCU).

Monitoramento orçamentário e maturidade dos controles internos

Os resultados demonstraram que, embora aproximadamente 79% dos recursos orçamentários destinados aos programas sociais tenham sido executados no período analisado, o sistema de monitoramento da execução orçamentária apresentou fragilidades relevantes.

A avaliação do grau de maturidade dos controles internos do sistema de planejamento e orçamento resultou em 21%, classificando o sistema no nível básico de maturidade. Segundo o estudo:

  • 46% dos controles avaliados foram considerados inexistentes;
  • 46% apresentaram-se fracos ou informais;
  • apenas 8% foram classificados como medianos;
  • não foram identificados controles classificados como fortes.

Os dados evidenciam que a execução financeira não foi acompanhada por mecanismos eficazes de monitoramento das metas físicas e de avaliação de resultados das políticas públicas.

Fragilidades estruturais no ciclo de planejamento e orçamento

Entre as principais fragilidades identificadas pelo estudo, destacam-se:

  • inexistência de normas internas específicas para o monitoramento da execução orçamentária;
  • ausência de instrumento formal de gestão de riscos no ciclo orçamentário;
  • limitação dos sistemas informatizados quanto ao acompanhamento das metas físicas dos programas;
  • fragilidade na governança dos programas de governo;
  • relatórios de avaliação com foco predominantemente financeiro, sem integração com indicadores de desempenho.

Segundo a pesquisa, essas limitações comprometem a capacidade da gestão municipal de corrigir desvios, aprimorar a alocação dos recursos públicos e orientar decisões estratégicas com base em evidências.

Proposta de modernização da gestão orçamentária

Como encaminhamento, o estudo apresentou um Roteiro Estruturado de Modernização da Gestão Orçamentária e de Planejamento, elaborado a partir da matriz de achados.

Entre as principais propostas estão:

  • institucionalização de um Programa de Metas Municipal, vinculado ao Plano Plurianual (PPA);
  • elaboração de normas internas para disciplinar o ciclo de planejamento, orçamento e monitoramento;
  • implantação de sistema integrado de acompanhamento físico-financeiro;
  • implementação de instrumento formal de gestão de riscos;
  • fortalecimento da governança e definição clara de responsabilidades;
  • capacitação contínua dos gestores e técnicos;
  • ampliação da transparência e do controle social.

A proposta dialoga com boas práticas de gestão pública orientada por resultados e com diretrizes adotadas pelos órgãos de controle.

Conclusões: controles internos como eixo estratégico da governança

O estudo evidencia que os controles internos exercem papel estratégico na efetividade do monitoramento orçamentário, sendo fundamentais para o fortalecimento da governança pública municipal, a melhoria da eficiência do gasto público e a entrega de resultados à sociedade.

Embora o município apresente razoável execução financeira, a pesquisa aponta a necessidade de investimentos contínuos em capacitação técnica, modernização de processos, integração de sistemas e estruturação institucional das unidades de controle interno.

Para as autoras, o trabalho contribui para o debate sobre a modernização da administração pública municipal e reforça que executar o orçamento não é suficiente: é preciso monitorar, avaliar e transformar recursos públicos em resultados concretos para a população.

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