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Por que precisamos ser lembrados de cuidar de nós mesmos?
Autor: Tatiane Coutinho
Todo ano, os meses de setembro, outubro e novembro são coloridos: amarelo para a prevenção do suicídio, rosa para o combate ao câncer de mama e azul para a saúde masculina, principalmente a prevenção do câncer de próstata. Mas por que precisamos dessas campanhas? Por que é necessário dizer: “Cuide-se”?
A psicanálise, nos mostra que somos movidos por forças inconscientes, por desejos que muitas vezes desconhecemos ou negamos. Somos capazes de amar profundamente, mas também de nos destruir silenciosamente. Aquela tendência inconsciente à repetição, à autossabotagem e à destruição, pode se manifestar nos pequenos gestos cotidianos de descuido: a consulta médica adiada, o corpo que avisa mas é ignorado, a tristeza crônica disfarçada de “estou cansado”, o silêncio que abafa um pedido de socorro.
O “Setembro Amarelo” nos estimula a olhar para a dor psíquica, muitas vezes velada sob sorrisos forçados e uma vida no piloto automático. Não se trata apenas de evitar o suicídio, mas de lembrar que existe um sujeito por trás da dor, e que ele precisa ser escutado, por si mesmo, antes de tudo.
O corpo não é só biológico, ele é linguagem. A doença que aparece, o sintoma que insiste, podem não ser apenas manifestações orgânicas, mas também sinais de algo que o sujeito não consegue traduzir em palavras. O corpo fala quando o sujeito (do inconsciente) não pode ou não sabe falar.
O “Outubro Rosa” e o “Novembro Azul” ganham, então, um novo contorno. Não se trata apenas de exames preventivos, mas de uma pergunta importante: qual lugar meu corpo ocupa na minha história? O cuidado com o corpo, nesse sentido, não é só clínico. É também simbólico e subjetivo.
Se precisamos de campanhas para nos lembrar que a vida importa, que o corpo precisa de cuidado e que a dor precisa ser escutada é porque algo em nós resiste ao cuidado. Muitas vezes, o inconsciente atua nos impedindo de mudar, mesmo quando racionalmente sabemos o que é melhor.
Acredito que essas campanhas podem ser, um chamado ético. Um chamado à responsabilidade a cada um de nós. São oportunidades de nos perguntarmos: o que estou fazendo com a minha vida? Como estou cuidando ou deixando de cuidar da minha saúde física e mental? Por que não estou me escutando?
A psicanálise nos convida ao mergulho profundo, a sair da superfície. Não para encontrar soluções rápidas ou receitas mágicas de felicidade, mas para sustentar as perguntas, suportar a angústia, resgatar o desejo e, sobretudo, reconhecer que cuidar de si é um ato de coragem. Desejo que o laço amarelo, rosa e azul convoque cada um a assumir a posição de sujeito da própria história.
Tatiane Coutinho
Psicóloga
CRP: 18/00913
@psitatianecoutinho