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Por que é tão difícil cumprir as nossas metas de Ano Novo?

Publicado em 13/02/2025

Autor: Tatiane Coutinho

Legenda: ASCOM/AUDICOM

Autor: ASCOM/AUDICOM

Todo início de ano traz uma onda de entusiasmo, onde estabelecemos uma lista de objetivos a serem conquistados. A promessa de uma vida melhor, mais saudável, produtiva ou equilibrada parece irresistível, e as metas são traçadas com muita vontade de fazer e acontecer. No entanto, com o passar das semanas, a realidade começa a se impor, e muitas dessas metas ficam para trás. A razão de isso acontecer, frequentemente, está na desconexão entre o que desejamos alcançar e os passos concretos que precisamos dar para chegar lá. Muitas vezes, essa dificuldade está relacionada com a maneira como lidamos com as nossas emoções, a nossa percepção de nós mesmos e as barreiras psíquicas que surgem ao longo do processo.

Uma das principais causas para o fracasso na execução das metas de Ano Novo é a falta de um planejamento realista. Muitas vezes, as metas são definidas de forma grandiosa e sem levar em conta as mudanças necessárias em nossa rotina. O desejo de transformação pode ser intenso, mas sem a preparação emocional e prática adequada, os objetivos parecem distantes demais e, por isso, se tornam difíceis de atingir. O conceito psicanalítico de resistência é fundamental aqui. Nossa mente tende a se opor a mudanças significativas, especialmente quando envolvem desconforto emocional ou rompimento com padrões antigos de comportamento. A resistência, um processo inconsciente, faz com que, por mais que tentemos, acabemos cedendo à procrastinação ou à desistência.

Além disso, a culpa e o medo de falhar são fortes inimigos do cumprimento das metas. Quando estabelecemos uma meta e não conseguimos atingi-la, sentimos uma sensação de fracasso que pode nos paralisar. A autossabotagem muitas vezes ocorre porque temos um medo profundo de não sermos bons o suficiente ou de não conseguirmos alcançar o que esperamos de nós mesmos. Esse medo pode se traduzir em comportamentos como procrastinação, perfeccionismo excessivo ou, até mesmo, desistência antecipada. A autocrítica severa reforça esses sentimentos, tornando difícil seguir em frente, mesmo diante de pequenos progressos.

Outro fator relevante é o impacto das nossas relações sociais no cumprimento das metas. Muitas vezes, deixamos de alcançar nossos objetivos devido à falta de apoio ou ao medo do julgamento dos outros. Esse fenômeno pode estar relacionado à imagem de perfeição que projetamos para o mundo e que muitas vezes é alimentada pela comparação com os outros. Quando nossos objetivos entram em conflito com essa imagem idealizada, podemos nos sentir vulneráveis e inseguros, o que dificulta o enfrentamento dos desafios necessários para alcançá-los. Compartilhar nossas metas com pessoas de confiança e buscar apoio emocional, por meio da terapia, pode ser uma maneira eficaz de superar esses obstáculos.

Por fim, uma questão fundamental para o cumprimento das metas de Ano Novo é a relação que temos com o tempo e o esforço. A procrastinação muitas vezes está ligada ao prazer imediato e à dificuldade de lidar com o adiamento da gratificação. Em um mundo onde a velocidade e o imediatismo são valorizados, as recompensas dos objetivos a longo prazo muitas vezes não são suficientes para nos manter motivados. Esse ciclo de frustração pode ser quebrado ao se desenvolver uma relação mais saudável com o processo e com os pequenos passos que nos conduzem até o objetivo final. Quando as metas são definidas de maneira clara e realista, com um plano de ação bem estruturado, elas deixam de ser ameaças e se tornam estímulos para a mudança, proporcionando uma sensação de realização a cada conquista ao longo do caminho.

Concluindo, a dificuldade de cumprir as metas de Ano Novo está intimamente ligada a fatores emocionais, psicológicos e práticos. Para romper com esse ciclo de frustração, é essencial que as metas sejam claras, alcançáveis e acompanhadas de um planejamento que considere tanto os aspectos racionais quanto emocionais da mudança. E o mais importante, é se autorizar a caminhar sabendo que é possível corrigir a rota diante do inesperado do caminho.

 

Tatiane Coutinho
Psicóloga
CRP: 18/00913

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